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Inteligência Artificial

Análise de existência de políticas de IA segundo o porte das empresas

No início de 2026 a ABIACOM realizou uma pesquisa com 400 empresas espalhadas pelo Brasil e um dos temas abordados foi em relação as políticas de uso de IA nas empresas. Casos passados revelam que o mau uso da IA pode trazer problemas complexos para as empresas como; temas de privacidade, segredos de negócio, uso de informações incorretas, entre outros.

Panorama Geral

O total da amostra indica distribuição relativamente equilibrada entre os estágios de maturidade em políticas de IA, com leve predominância de ausência de políticas formais (24,33%) e presença relevante de políticas bem definidas (20,92%) e diretrizes básicas (19,95%).

A segmentação por porte revela um padrão estruturado: empresas maiores concentram maior formalização, enquanto empresas menores apresentam maior incidência de ausência de políticas ou níveis intermediários de organização.

As empresas de Grande Porte possuem maior nível de formalização: 34,85% possuem políticas bem definidas, significativamente acima do total. Contudo, apresentam também alto “não sei informar” (25,76%). Olhando pela função do respondente observamos que 23% dos que não sabem informar são Analistas e Assistentes, sugerindo um possível desalinhamento interno em questões de comunicação.

As empresas de Médio Porte, estão em um perfil intermediário e relativamente equilibrado, com leve inclinação à formalização (26,42% com políticas bem definidas), acima do total (+5,5 p.p.), mas ainda com presença relevante de ausência de políticas (20,75%), sugerindo uma movimentação no sentido de formalização.

As Pequenas Empresas e Microempresas, possuem forte concentração em níveis intermediários, com Diretrizes básicas de 35% e 32% respectivamente, mas com baixa presença de políticas bem definidas, em torno de 14%, além de ausências de políticas em torno de 32%.

Alguns Insights Estratégicos que a pesquisa mostra:

Efeito estrutural do porte:

Há uma relação consistente entre porte e maturidade em IA. Empresas maiores apresentam maior formalização, enquanto menores concentram-se em estágios intermediários ou ausência de políticas. 

Zona de transição nas pequenas empresas:

EPP e microempresas concentram-se em “diretrizes básicas”, sugerindo um estágio intermediário de maturidade, com potencial de evolução para formalização completa.

Desalinhamento informacional em grandes empresas:

O percentual elevado de “não sei informar” em grandes empresas indica possível falha de comunicação ou descentralização das políticas.

Polarização entre formalização e informalidade:

O sistema apresenta dois polos:

  • Grandes empresas com políticas estruturadas
  • Pequenas empresas com ausência ou informalidade
  • Empresas médias atuam como transição entre esses polos.

Conclusão Técnica

Os dados confirmam um padrão estruturado de maturidade em políticas de IA associado ao porte empresarial. Empresas de grande porte apresentam níveis significativamente superiores de formalização, enquanto pequenas empresas concentram-se em estágios intermediários ou na ausência de políticas.

Do ponto de vista institucional, os resultados indicam:

  • Necessidade de apoio à formalização para pequenas empresas;
  • Oportunidade de padronização e disseminação interna em grandes organizações;
  • Importância de estratégias específicas para empresas em estágio intermediário (médio porte), visando acelerar a consolidação de políticas.
  • As diferenças observadas são consistentes e superiores a 10 p.p. em múltiplos indicadores, caracterizando um efeito estrutural robusto.

Investimentos por porte de Empresa:

Em relação aos investimentos em tecnologias de IA e treinamento dos funcionários também é possível ver a relação entre porte de empresa e investimentos. O gráfico abaixo mostra isso claramente, existe uma relação forte entre treinamento com efetividade e empresas de Grande Porte (em vermelho) e por outro lado algumas empresas de médio porte sem planos ou com algum plano para investir em treinamento, o que corrobora com os resultados de políticas observados anteriormente (em azul) e fora do escopo, empreendedores individuais ainda sem relevância sobre o tema.

 

Conclusão Final:

A análise dos dados evidencia a existência de um padrão estrutural consistente entre o porte das empresas e o nível de maturidade na adoção e formalização de políticas de Inteligência Artificial (IA). Observa-se que empresas de grande porte apresentam maior grau de institucionalização, com proporção significativamente superior de políticas bem definidas, enquanto pequenas e microempresas concentram-se em estágios intermediários — caracterizados por diretrizes básicas — ou na ausência completa de normativas formais.

Esse comportamento sugere que a capacidade de governança em IA está diretamente associada à disponibilidade de recursos organizacionais, à complexidade operacional e à exposição a riscos regulatórios e reputacionais. Em linha com estudos internacionais, como os relatórios da OECD e do World Economic Forum, empresas maiores tendem a antecipar a necessidade de estruturas formais de governança em IA devido à maior pressão por compliance, transparência e accountability.

Por outro lado, a elevada incidência de respostas “não sei informar” em empresas de grande porte revela um ponto crítico: a dissociação entre a existência formal de políticas e sua efetiva disseminação interna. Esse achado sugere que a maturidade organizacional em IA não se limita à formalização documental, mas depende também de processos eficazes de comunicação, treinamento e incorporação cultural das diretrizes estabelecidas.

No caso das pequenas empresas e microempresas, a predominância de diretrizes básicas indica uma “zona de transição” relevante, na qual há reconhecimento da importância da IA, mas ainda sem consolidação em políticas estruturadas. Esse estágio intermediário representa uma oportunidade estratégica para iniciativas de capacitação, padronização e suporte institucional. De acordo com tendências apontadas pelo McKinsey & Company, organizações que avançam da experimentação para a formalização em IA tendem a capturar maior valor econômico e reduzir riscos operacionais.

Adicionalmente, a análise dos investimentos em treinamento reforça a existência desse gradiente de maturidade, evidenciando que empresas de grande porte não apenas formalizam mais, mas também investem de maneira mais consistente na capacitação de seus colaboradores, elemento fundamental para a efetividade das políticas implementadas.

Dessa forma, os resultados apontam para a necessidade de abordagens diferenciadas por porte empresarial: (i) apoio à formalização e educação em IA para pequenas empresas, (ii) aceleração da consolidação e estruturação para empresas de médio porte e (iii) aprimoramento da comunicação interna e governança para grandes organizações.

Em síntese, a maturidade em políticas de IA no contexto empresarial brasileiro não é homogênea, mas sim estratificada, refletindo desigualdades estruturais de capacidade organizacional. A superação dessas assimetrias será determinante para garantir uma adoção segura, ética e eficiente da IA, potencializando seus benefícios econômicos e mitigando riscos associados ao seu uso inadequado.

Os dados da pesquisa ABIACOM mostram que o futuro dos negócios será codificado, mas a governança precisa ser humana e bem comunicada. Superar essas assimetrias de conhecimento é o que garantirá uma adoção segura e ética da tecnologia no Brasil

Quer se aprofundar nos dados e ver o panorama completo?

A pesquisa completa está disponível gratuitamente.

[Baixe a pesquisa completa aqui:]

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Alexandre Crivellaro

Diretor de Inteligência de Mercado da ABIACOM

Fundador e CEO da empresa Forekast Tecnologia e Pesquisa de Mercado.