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MERCADO DIGITAL

Marketplace In: O caminho para a independência ou uma armadilha?

Por: Talita Gabriel Fernandes – Gerente de E-Commerce na Infracommerce

Se você vende online, já sabe: os Marketplaces dominaram o varejo digital. No Brasil, mais de 78% das vendas online acontecem dentro dessas grandes plataformas, segundo a Ebit | Nielsen. Esse parece ser o melhor caminho para ampliar a presença da sua marca e atingir mais clientes. Mas e se eu disser que existe outra alternativa para quem já tem um e-commerce consolidado?

Seja muito bem-vindo ao universo do Marketplace In, a estratégia de criar o seu próprio canal de vendas de portas abertas para outros sellers. Parece ambicioso?

Com certeza. Vale a pena? Depende, e é isso que vou explicar neste artigo.

O império dos Marketplaces

Os Marketplaces tradicionais como Mercado Livre, Amazon e Shopee conquistaram consumidores de forma massiva nos últimos anos. Dados do “Marketplace Shopping Behavior Report 2025” apontam que 63% dos consumidores na Europa e nos EUA preferem comprar via Marketplace ao invés do site oficial da marca. Os motivos apontados foram: variedade de produtos (41%), melhores ofertas (40%) e facilidade
na comparação de preços (37%).

Isso significa que quem vende nessas plataformas ganha visibilidade e aumenta o volume de conversões. No entanto, também aumentam as taxas, as comissões, a concorrência feroz e a dependência nesses canais. Sem contar a perda de controle sobre sua própria audiência e estratégia de precificação.

Em resumo, é um jogo onde você é apenas mais um peão no tabuleiro. Mas e se você pudesse virar o jogo?

Marketplace In: O controle de volta para suas mãos

Criar um Marketplace próprio é um passo ousado, mas pode ser a chave para diversificar sua receita, ampliar seu catálogo de produtos e reduzir custos operacionais sem perder o controle do seu negócio.

O Marketplace In é a estratégia onde uma empresa cria seu próprio ambiente de Marketplace, permitindo que outros sellers vendam ali. Isso é particularmente eficaz para marcas conhecidas, que já possuem uma base digital forte e que querem expandir sem precisar investir em estoques gigantescos.

Vantagens reais (e desafios que ninguém conta)

● Expansão sem estoques absurdos: Ao integrar outros vendedores ao seu canal de vendas, você amplia seu mix de produtos sem a necessidade de ampliar seu estoque próprio. Isso significa crescimento com menos capital investido;
● Maior ticket médio e carrinhos cheios: Quando um consumidor encontra mais opções no seu site, ele tende a comprar mais. A diversidade de produtos de sellers variados aumenta o ticket médio e, consequentemente, a rentabilidade;
● Monetização através de comissão: Com cada venda realizada pelos seus sellers, você ganha uma comissão. Ou seja, sua receita cresce sem necessariamente aumentar sua estrutura operacional;
● Autonomia estratégica: Ao contrário dos Marketplaces tradicionais, onde as regras são ditadas pelas plataformas, no seu Marketplace você define as margens, as taxas e o posicionamento de marca. Ao mesmo tempo que tem controle total sobre questões como SLA’s e histórico de dados.

Agora, quanto aos desafios, você precisa lidar com alguns pontos diferentes de estar dentro de uma plataforma já estruturada. No Marketplace In, você deverá ficar atento com:

● Gestão de sellers: Encontrar parceiros confiáveis e que façam sentido com o seu modelo de negócio, garantindo que cumpram prazos e padrões de atendimento;
● Tecnologia robusta: Incluindo um Seller Center eficiente, integração com ERPs, gateways de pagamento e suporte a split de pagamentos;
● Captação de tráfego: Sem a audiência de um Marketplace gigante, você precisará investir em marketing digital, com estratégias de Retail Media, SEO, entre outras.

O Marketplace In é para todo mundo?

Definitivamente, não. Se você é um pequeno varejista, pode ser mais vantajoso continuar vendendo nos Marketplaces tradicionais, a chamada estratégia de Marketplace Out. Mas se sua empresa já tem tráfego próprio, uma base de clientes fiel e estrutura digital consolidada, o Marketplace In pode ser sua próxima jogada estratégica.

Empresas do setor B2B, por exemplo, têm se beneficiado desse modelo, atendendo desde pequenos comércios de bairro até distribuidores de grande porte. O segredo é entender o seu público, atrair os sellers certos e garantir uma experiência fluida para compradores e vendedores.

Marketplace In: Um risco calculado

A gestão de um Marketplace In não é fácil, mas pode ser altamente recompensadora. Para quem quer escalar sem abrir mão do controle, esse modelo é uma oportunidade de ouro.

A pergunta é: você está pronto para deixar de ser refém dos Marketplaces tradicionais e assumir as rédeas do seu próprio ecossistema de vendas? Se a resposta for sim, o futuro do e-commerce pode estar nas suas mãos!
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Talita Gabriel Fernandes
Gerente de E-Commerce na Infracommerce
https://www.linkedin.com/in/talita-gabriel-fernandes-2b63a952/

Talita Fernandes é graduada em Administração e possui MBA em Varejo e E-Commerce. Com 14 anos de experiência no mercado de e-Commerce, ela tem se especializado no segmento de Marketplace, contribuindo para o crescimento e a evolução dos canais. Sua trajetória profissional inclui passagens por grandes empresas varejistas como Carrefour e Grupo Casas Bahia, onde desempenhou papéis importantes na implementação de estratégias de vendas e operações, focando na melhoria da experiência do cliente e no aumento das vendas. Além de sua carreira de sucesso, Talita é mãe do Bento, equilibrando com dedicação sua vida profissional e familiar.